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Facetas diretas de Resina: Opção rápida, estética e longeva

Resumo

A Odontologia evolui sobremaneira desde o advento da adesão. Este novo caminho embasou todo desenvolvimento tecnológico, de materiais e de técnicas utilizadas nos dias atuais. Essa evolução somada a mudança de paradigma, com a tese do ciclo restaurador, permitiu cada vez mais a preservação das estruturas dentais naturais, e a percepção de que esse cuidado é condição primordial para evitar perdas dentais precoces, bem como para longevidade clínica dos tratamentos. Então, reavaliar se tornou mais importante do que restaurar, e ao restaurar preservar é preciso. (1)

Em contrapartida, o processo de evolução cultural, e a forma como as pessoas buscam se encaixar nos seus contextos sociais, impõem aos indivíduos mudanças tanto comportamentais quanto nos seus próprios atributos estéticos e físicos. Neste contexto, é importante que o profissional seja criterioso, ético e informe os riscos e benefícios do tratamento, buscando equilibrar os anseios estéticos dos pacientes, com a preservação das estruturas dentais naturais. Neste prisma, a resina composta pode se encaixar como um material interessante, pois tem potencial de ser
mais conservador, levando vantagem inclusive sobre as cerâmicas, neste quesito.(2)

A escolha do tipo de material utilizado para reabilitações de estética perdida ainda é motivo de discussões. Toda essa controversia traz para prática clínica dúvidas a respeito de como abordar da melhor forma os casos, bem como combinar as dificuldades do próprio paciente, sejam financeiras, de tempo total de tratamento ou qualquer outra justificativa. É preciso que se entenda que não existe material ideal, ou técnica perfeita, existem sim indicações e contra-indicações, vantagens e desvantagem de cada material, e que estas devem ser levadas em conta quando se opta por um material. Não obstante a isso, o paciente deve ser co-participe nessa decisão, para que ele entenda o seu papel tanto no diagnóstico, quanto na execução e especialmente na manutenção e cuidados pós-tratamento.

As facetas diretas em resina composta, tem as vantagens de ser uma técnica mais rápida, eficaz, que dispensa a necessidade de terceirização de mão de obra para produção de peças protéticas  em laboratório, dispensa moldagens e por conseqüência é uma técnica mais econômica. (2, 3, 4)

Estudo clínico retrospectivo que avaliou a durabilidade de facetas de resina mostrou resultado e 80% de longevidade em 3,5 anos. Além disso, foi observado que as facetas feitas em dentes não vitais tiveram um risco maior de falhas, se comparadas com as feitas em dentes vitais. No que tange ao tipo de resina não houve diferença na sobrevida, porém resinas com partículas pequenas tiveram uma performance estética melhor. (5)

O tempo, os hábitos e os desafios inerentes à cavidade bucal cobram um preço alto aos tratamentos inadequados, gerando problemas futuros, e futuras intervenções. Está claro e evidente que ainda não existe material que substitua as estruturas dentais naturais, de modo que a preservação destas estruturas deve voltar a ser o foco dos profissionais. Entretanto, os materiais dentários evoluíram muito, possibilitando resultados surpreendentes, principalmente quando o profissional desenvolve suas habilidades de trabalhar os mesmos. Esse artigo tem objetivo de mostrar através de um caso clínico, uma solução interessante para reparar problemas estéticos e funcionais de um paciente, de forma direta com resina composta.

Caso Clínico:

Paciente jovem com aproximadamente 33 anos, procurou atendimento descontente com os desgastes presentes no seus dentes, desgastes relacionados a atrição dental, e que se apresentam adiantados para a idade. Outro anseio do paciente era o de melhorar a forma e a cor dos dentes. Ao exame clínico foi observado ainda a presença do pré-molar 25, tratado endodonticamente, com uma fratura coronal, que para benefício do paciente foi acima do nível ósseo, permitindo o reestabelecimento desse elemento dental apenas com tratamento protético. Após o exame clínico, como de rotina foi solicitado exames complementares (radiografia panorâmica e periapical do 25), e foram executados modelos iniciais para serem articulados e para enceramento diagnóstico, além disso, foram executadas fotografias faciais e intra-bucais, com objetivo de auxiliar no diagnóstico e planejamento do caso (Fig. 1). Após a avaliação dessas informações, o tratamento proposto ao paciente foi a realização de 9 facetas em resina composta, sem nenhum desgaste de estrutura dental, apenas acréscimo, verificada essa possibilidade através dos modelos articulados e do enceramento, e no dente 25 a realização de pino fibro-resinoso e coroa em cerâmica pura.

Materiais Utilizados:

• Charisma® Diamond
• GLUMA® Bond Universal
• Optosil®/ Xantopren®

Autor: Pedro Alexandre

Fotos do caso:

  • Figura 01
  • Figura 02
  • Figura 03
  • Figura 04
  • Figura 05
  • Figura 06
  • Figura 07
  • Figura 08
  • Figura 09
  • Figura 10
  • Figura 11
  • Figura 12
  • Figura 13
  • Figura 14
  • Figura 15
  • Figura 16
  • Figura 17
  • Figura 18

Figura 01 – A partir das fotografias faciais foi executado um planejamento que levou em conta a linha média facial, e linha interpupilar, para definir a posição espacial da borda incisal dos incisivos centrais e se as linha média coincide. A partir da relação da borda incisal dos centrais com os lábios estabeleceu-se o aumento possível estéticamente destes dentes e isso foi passado para o enceramento.

Figura 02 – Sistema restaurador Charisma® Diamond e adesivo GLUMA® Bond Universal (Kulzer).

Figura 03 – Seleção de cor da resina, com bolinhas de resina com a espessura aproximada de 1mm. Nessa imagem as resinas usadas para seleção foram A3, A2, OL, YO e AM.

Figura 04 – A região posterior também apresentava perda de estrutura dental por desgaste erosivo (aspecto de concha) e consequentemente extrusão dentária.

Figura 05 – Aplicação do ácido fosfórico pelo tempo de 30s. Os dois incisivos centrais são os dominantes no sorriso, e precisam ser o mais simétricos possível, quando estamos reabilitando a estética, então optou-se por proteger os dentes vizinhos com matriz de poliéster para os procedimentos adesivos.

Figura 06 – Com a guia palatina realizada em Silicone de Condensação Optosil® (denso) e Xantopren® (fluído) ambos da Kulzer, foi reconstruída a face palatina de acordo com o projeto do enceramento. A resina utilizada nessa camada foi Charisma® Diamond (Kulzer) cor YO.

Figura 07 – Como os dentes possuem desgastes, e precisaremos corrigilos, para que não ocorram diferenças chamativas na área dos desgastes, é preciso equalizar os substratos, para isso foram utilizadas as resinas Charisma® Diamond (Kulzer) cor A2 e A3. E foram deixados espaços nas áreas caracterizações incisais, para resina translúcida, para efeito opalescente incisal.

Figura 08 – Para preencher os espaços deixados para as caracterizações incisais, foi utilizada a resina Charisma® Diamond (Kulzer) cor AM. Essa resina tem a capacidade de dar um efeito translúcido âmbar, o que confere um efeito de contra opalescência.

Figura 09 – Adaptação da matriz Unica® anterior (Quinelato) para auxiliar no perfil de emergência e nos términos proximais evitando excessos de resina e facilitando a obtenção de contatos mais interessantes. Foi realizado então um incremento em toda a face vestibular com a resina Charisma® Diamond (Kulzer) cor OL e em seguida uma fina camada de YO.

Figura 10 – Finalizada a incrementação da resina os procedimentos de acabamento se iniciam com a demarcação das arestas que delimitam as áreas planas, importantes áreas de reflexão de luz, e as áreas de sombra, que na verdade são as ameias vestibulares. Uma dica interessante é realizar a marcação das arestas com grafite vermelho e marcar a distancia entre elas com compasso de ponta seca, para que fiquem exatamente do mesmo tamanho.

Figura 11 – Final imediato.

Figura 12 – Final imediato da primeira consulta restauradora, ainda sem a realização da coroa do dente 25. O paciente já deve sair na primeira consulta com os dentes polidos, porém, como esta é uma consulta longa, sempre é interessante deixar os acabamentos mais delicados para uma segunda consulta.

Figura 13 – Observe o detalhe do acabamento da resina e da textura de superfície, ideal que não sejam texturas muito grosseiras, para evitar acúmulo de placa, e que sejam mais próximas ao natural.

Figura 14 – Aspecto final das facetas diretas de resina composta e da coroa Figura 16 – Aspecto final das restaurações por uma vista intrabucal. de cerâmica pura do elemento 25.

Figura 15 – Aspecto final das restaurações por uma vista intrabucal.

Figura 16 – Paciente com a placa de acrílico para proteção do tratamento.

O material selecionado para abordar esse caso foi o Sistema restaurador Charisma® Diamond (Kulzer) (Fig. 2). O primeiro passo a ser realizado no dia da primeira consulta restauradora, é a seleção das cores de resina a serem utilizadas. É preciso selecionar as cores que copiam a estrutura dos dentes, e também selecionar a cor que iremos usar para tornar os dentes mais claros (Fig. 3). Executada a seleção de cor o próximo passo é o isolamento do campo operatório, e como se trata de região anterior, o isolamento relativo também é uma possibilidade, mas nesse caso foi executado um isolamento absoluto. Na primeira sessão restauradora o plano foi a execução das restaurações de canino a canino, para conforto do paciente. O sistema adesivo escolhido foi o GLUMA® Bond Universal (Kulzer) (Fig 4) que se trata de um adesivo de oitava geração, ou seja, um sistema Universal de frasco único.

Após o isolamento absoluto uma limpeza dos dentes é necessária para remoção de placa e película adquirida, apesar de o paciente já ter sido adequado na consulta anterior. Foi realizada então limpeza com pedra pomes e água, com escova Robinson. O tratamento da superfície foi com Jateamento com óxido de alumínio 25μm e aplicação de ácido fosfórico 35% GLUMA® Etch (Kulzer) (Fig. 5 e 6).

Nos conceitos atuais de estética dental, é consenso que a dominância dos centrais é um dos pontos mais importantes e mantê-los o mais simétrico possível é desejável. Por isso, optou-se por executar primeiro os dois elementos, pois o objetivo de deixá-los simétricos ocupa boa parte do tempo da execução das restaurações da bateria anterior. Então, após o preparo das superfícies, os dois começaram a ser construídos com auxílio da guia palatina realizada em Silicone de Condensação Optosil® e Xantopren® ambos (Kulzer), a partir do enceramento. A resina utilizada nessa camada foi Charisma® Diamond (Kulzer)
cor YO (Fig. 7).
Como os dentes possuem desgastes, deve-se tomar sempre cuidado em restaurações deste tipo para equalização dos substratos, para que não ocorram diferenças chamativas na área dos desgastes, para isso foram utilizadas as resinas Charisma® Diamond (Kulzer) cor A2 e A3 (Fig. 8). E foram deixados espaços nas áreas caracterizações incisais, para resina translúcida, para efeito opalescente incisal Charisma® Diamond (Kulzer) cor AM, essa resina tem a capacidade de dar um efeito translúcido âmbar, o que confere um efeito de contra opalescência. Para facilitar o trabalho, foi utilizada a matriz Unica® anterior (Quinelato) para auxiliar no perfil de emergência e nos términos proximais evitando excessos de resina e facilitando a obtenção de contatos mais interessantes (Fig. 10). Foi realizado então um incremento em toda a face vestibular com a resina Charisma® Diamond (Kulzer) cor OL e em seguida uma fina camada de YO. Finalizada a incrementação da resina os procedimentos de acabamento se iniciam com a demarcação das arestas (Fig. 11), que delimitam as áreas planas, importantes áreas de reflexão de luz, e as áreas de sombra, que na verdade são as ameias vestibulares. Uma dica interessante é realizar a marcação das arestas com grafite vermelho e marcar a distância entre elas com compasso de ponta seca, para que fiquem exatamente do mesmo tamanho. A primeira consulta é em geral longa, e paciente e profissional acabam ficando cansados, por isso optou-se por realizar as restaurações de 13 a 23, observa-se o final imediato ainda sem a realização da coroa do dente 25 (Fig. 12 e 13). O paciente já deve sair na primeira consulta com os dentes polidos, porém, como esta é uma consulta longa, sempre é interessante deixar os acabamentos mais delicados para uma segunda consulta, observe o detalhe do acabamento da resina e da textura de superfície, ideal que não sejam texturas muito grosseiras, para evitar acúmulo de placa, e que sejam mais próximas ao natural (Fig. 14). Depois de finalizadas as facetas de resina composta puderam ser executados os procedimentos de moldagem da coroa cerâmica do elemento 25, e o resultado estético final foi obtido de forma rápida e natural (Fig. 15 e 16). Casos como esse em questão exigem a execução de uma placa de acrílico rígida para garantir a proteção do tratamento (Fig. 17).

Considerações finais:

Com mais frequência os pacientes buscam formas de melhorar seus atributos estéticos, e ter opções estéticas, permite aos profissionais resolver as necessidades de um número maior de pacientes. Está bem estabelecido que as resinas têm grande potencial para devolver ou melhorar a estética, de forma conservadora, eficiente, estética e longeva, não podendo ser colocada apenas como uma segunda opção. Basta aos profissionais buscarem mais aprimoramento técnico e capacitação para executar esse procedimento com mais qualidade, usando os benefícios desse material a seu favor e entendendo as suas limitações para que cada vez mais sejam bem-sucedidos em seus tratamentos.

Referências:

1. Baratieri LN et al. Odontologia Restauradora: Fundamentos & possibilidades. São Paulo: Santos, 2015.
2. Chain MC, Alexandre P. Facetas estéticas pré-fabricadas como procedimento restaurador – um caso clínico. Full
Dentistry in Science. , v.5, p.338 – , 2014.
3. Ferracane JL. Resin composite—state of the art. Dent Mater 2011;27:29–38.
4. Craig RG, Powers JM. Restorative Dental Materials, 11th ed. St. Louis, MO: Mosby Inc., 2002:231e51.
5. Anusavice LJ, Phillips RW. Materiais dentários. 11 ed Rio deJaneiro: Elsevier, 2005.
6. F. F. Demarco, K. Collared, F.H. Coelho-de-Souza, M.B. Correa, M.S. Cenci, R.R. Moraes, N. Opdam, Anterior
composite restorations: a systematic review on long-term survival and reasons for failure, Dental Materials 30 (2014)
348–355, doi:http://dx.doi.org/10.1016/j.dental.2015.07.005.
7. F. F. Demarco,R.A.Baldissera,F.C.Madruga,R.C.Simoes,R.G.Lund,M.B.Correa, M.S. Cenci, Anterior composite
restorations in clinical practice: findings from a survey with general dental practitioners, J. Appl. Oral Sci. 21 (2013)
497–504.

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