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Reabilitação estética em dentes anteriores com resina composta

Resumo:

As resinas compostas são excelentes materiais restauradores estéticos que evoluíram muito com a chegada da nanotecnologia. Possuem ótimas propriedades físico-mecânicas, excelente resistência mecânica e resistência ao desgaste, melhor polimento superficial e estética. (Alzraikat et al. 2018) O uso desses materiais permite uma maior conservação de estrutura dental sadia pois não requer um preparo cavitário e sua retenção é obtida com uso de sistemas adesivos dentinários. A resina composta Charisma® Diamond é composta de nanopartículas de vidro de fluoreto de bário e alumínio (5nm-20nm) altamente dispersas em uma matriz a base de TCDDI- HEA e UDMA. O monômero TCD-DI-HEA é um monômero que produz um menor estresse de contração de polimerização do que outros compósitos no mercado. (Balbinot et al. 2019;). Além disso, esse polímero possui alto grau conversão o que melhora todas as suas propriedades mecânicas. O sistema de cores possui massas opacas, translúcidas médias e translúcidas de efeito (massas opalescentes) para uma perfeita estratificação e estética do elemento dental, além de propriedades ópticas como fluorescência, opalescência e radiopacidade.

Caso clínico:

Paciente do do gênero masculino, jovem de 23 anos, apresentando restaurações insatisfatórias em resina composta e inflamação gengival, necessitando reabilitação total dos dentes. O diagnóstico foi desgaste erosivo na estrutura de esmalte devido a refluxo gastroesofágico (DRGE), o mesmo foi encaminhado para tratamento antes da reabilitação. Nos dentes posteriores também pode-se observar desgaste erosivo na superfície oclusal (3 a 6), com aspecto de “concha” já atingindo dentina em alguns dentes. Para um planejamento adequado foi feita a moldagem do arco superior e inferior, e montagem da relação maxilo mandibular em articulador semi ajustável em relação cêntrica.

Foi confeccionado um Jig de Lúcia, que é considerado um reprogramador neuromuscular, um dispositivo confeccionado nos incisivos centrais superiores e, utilizado na clínica odontológica com finalidade de desocluir os dentes e consequentemente desprogramar o padrão de atividade neuromuscular evitando que ocorram interferências oclusais e, assim, possibilitando a melhor manipulação da mandíbula, como também, possibilitando a avaliação das alterações e distúrbios na oclusão dental. Feita a desprogramação e um novo registro oclusal, foi realizada a montagem em articulador em RC, aumentado 1,5 mm da DV e os modelos foram enviados ao laboratório de prótese dental e encerados na nova DV. A transferência foi feita com guias de silicone que também foram usadas para confecção do mock-up na boca do paciente para planejamento estético e funcional.

Para a confecção das restaurações nos dentes anteriores foi removida a resina bisacrílica, em seguida o isolamento relativo do campo operatório e inserção de fio retrador. A técnica preconizada para a reconstrução da face palatina foi o uso de guia de silicone preparada no modelo de enceramento diagnóstico. Os dentes 11,21,12,22 foram preparados e os dentes 13 e 23 isolados com fita teflon. Foi realizado o condicionamento com ácido fosfórico 35% por 30s no esmalte, seguido de lavagem por 60s, secagem e aplicação de uma camada do sistema adesivo GLUMA® 2 Bond, evaporação do solvente com jato de ar e fotoativação por 10s. A estratificação da face palatina foi realizada com a resina composta Charisma® Diamond na cor CL até a incisal, essa tonalidade esta indicada para regiões que possuem mais translucidez como a borda incisal e proximal. O nível de translucidez é fundamental para tomada de decisões em relação a correta eleição do tipo de opacidade de resina de efeito, para casos com mais translucidez CL (clear) e menos CO (clear opal) ambas as resinas já possuem efeito natural de opalescência. Em seguida foi colocada a cor esmalte A1 em toda a face vestibular e também para a construção da camada interna no terço incisal para simulação interna dos mamelos. Por se tratar de uma pequena restauração de acréscimo incisal foi utilizada somente a cor de esmalte, se a extensão da restauração envolvesse maior reconstrução de estrutura dental seria necessária uma tonalidade de cor opaca como OL (opaco light) para simular a dentina. A seguir fez-se a colocação de uma fina camada da cor CO nos limites incisais e proximais para reprodução natural da translucidez dessa região. Em seguida, o acabamento anatômico da restauração foi feito traçando-se as linhas verticais para a reproducão das áreas de reflexão que delimitam a área de espelho do dente. A remoção de excessos para a definição da macrotextura foi feita com pontas diamantadas 3195F e em seguida a microtextura com sulcos de desenvolvimento e estrias horizontais. Após a definição da micro e macrotextura, a lisura foi obtida com pontas de silicone tipo Optimize/TDV e o brilho final com espirais diamantados Diacomp Plus da Eve.

Materiais Utilizados:

• Charisma® Diamond
• GLUMA® Bond Universal

Autores:

• Prof. Jansen Ozaki
Especialista e Mestre em Dentística -Unicamp
Coordenador de Pós-graduação de Dentistica Faoa (unidades
de São José dos Campos/Sp e Santos/Sp)
Coordenador dos Cursos de Imersão de Laminados e
Lentes de contato da Odontoprtners/Sp
Professor docente do Programa de Pós-graduação em
Reabilitação Oral – Universidad Autônoma do Chile

• Profª Dra. Priscila Christiane Suzy Liporoni
Especialista, Mestre e Doutora em Dentística -Unicamp
Pós Doutora em Dentística –University Health Science Center San Antonio/Unicamp
Profa Dentística Univap e Unitau
Profa do Programa de Pós-graduação em Odontologia – Unitau
Coordenadora Curso de Especialização e Atualização em Dentística –Faoa –Sjc
Coordenadora da área de Dentística – Mestrado, Doutorado e Pós Doutorado -Unitau

Figura 01 – Paciente do gênero masculino, jovem de 23 anos, apresentado restaurações insatisfatórias e desgaste erosivo do esmalte devido a refluxo gastroesofágico.

 

Figura 02 – Caso inicial: região anterior apresentando perda de esmalte e restaurações de resina composta insatisfatórias em relação a forma anatômica e saúde periodontal.

Figura 03 – A região posterior também apresentava perda de estrutura dental por desgaste erosivo (aspecto de concha) e consequentemente extrusão dentária.

 

 

Figura 04 – A região posterior também apresentava perda de estrutura dental por desgaste erosivo (aspecto de concha) e consequentemente extrusão dentária.

Figura 05 – A região posterior também apresentava perda de estrutura dental por desgaste erosivo (aspecto de concha) e consequentemente extrusão dentária.

 

Figura 06 – A região posterior também apresentava perda de estrutura dental por desgaste erosivo (aspecto de concha) e consequentemente extrusão dentária.

 

Figura 07A – Jig de Lúcia confeccionado com resina acrílica

 

 

 

Figura 07B – Após a desprogramação foi feita uma indentação inferior para se fixar a posição obtida e assegurar a transferência do registro oclusal em posição correta sem alterações.

Figura 08 – Após a montagem em articulador em RC, foi aumentado 1,5 mm da DV e os modelos foram enviados ao laboratório de prótese dental e encerados na nova DV.

 

 

 

Figura 09 – Após a montagem em articulador em RC, foi aumentado 1,5 mm da DV e os modelos foram enviados ao laboratório de prótese dental e encerados na nova DV.

 

 

Figura 10 – Após a montagem em articulador em RC, foi aumentado 1,5 mm da DV e os modelos foram enviados ao laboratório de prótese dental e encerados na nova DV.

 

 

Figura 11 – Guias de silicone foram confeccionadas para se fazer a transferência da nova DV e da morfologia funcional para a boca do paciente.

 

 

 

Figura 12 – Guias de silicone foram confeccionadas para se fazer a transferência da nova DV e da morfologia funcional para a boca do paciente.

 

 

 

 

 

 

Figura 13 – Guias de silicone foram confeccionadas para se fazer a transferência da nova DV e da morfologia funcional para a boca do paciente.

 

 

 

 

Figura 14 – Transferência da nova DV e mock-up com resina bisacrilica Protemp4 (3M) para avaliação estética e funcional pelo paciente.

 

 

Figura 15 – Checagem da transferência da nova oclusão e verificação da guia canina.

 

 

 

Fotos do caso:

  • Figura 16 - Checagem da transferência da nova oclusão e verificação da guia canina.
  • Figura 17 - Aspecto dos dentes posteriores previamente ao acabamento e polimento final.
  • Figura 18 - Guias de silicone foram confeccionadas para se fazer a transferência da nova DV e da morfologia funcional para a boca do paciente.
  • Figuras 19, 20, 21 e 22 - Transferência da nova DV e mock-up com resina bisacrilica Protemp4 (3M) para avaliação estética e funcional pelo paciente
  • Figuras 23, 24, 25 e 26 - Transferência da nova DV e mock-up com resina bisacrilica Protemp4 (3M) para avaliação estética e funcional pelo paciente.
  • Figura 27 - Checagem e ajuste dos pontos de contato após o acabamento e polimento.
  • Figura 28 - Checagem e ajuste dos pontos de contato após o acabamento e polimento.
  • Fotos Caso Clínico-29A (Descrição abaixo)
  • Fotos Caso Clínico-29B (Descrição Abaixo)
  • Figura 30 - A remoção da resina bisacrilica.
  • Figura 31 - Confecção de guia de silicone palatino para orientação e padronização morfologia.
  • Figura 32 - Visão dos preparos com acabamento
  • Figura 33 - Isolamento relativo do campo e inserção do fio retrator.
  • Figura 34 - Dentes 11,12, 21 e 22 preparados.
  • Figura 35 - Aplicação de uma camada do sistema adesivo GLUMA® 2 Bond (Kulzer).
  • Figura 36 - Aplicação de uma camada do sistema adesivo GLUMA® 2 Bond (Kulzer).
  • Figura 37 - Aplicação da camada palatina de resina Charisma® Diamond cor CL até o limite incisal.
  • Figura 38 - Aplicação da camada palatina de resina Charisma Diamond cor CL até o limite incisal.
  • Figura 39 - Colocação da cor esmalte A1 em toda vestibular e na incisal desenhando os mamelos e aplicação de uma pequena camada final de cor CO foi utilizada nos limites incisais e proximais.
  • Figura 40 - Colocação da cor esmalte A1 em toda vestibular e na incisal desenhando os mamelos e aplicação de uma pequena camada final de cor CO foi utilizada nos limites incisais e proximais.
  • Figura 41 - Acabamento anatômico da restauração, linhas verticais para a reprodução das áreas de reflexão
  • Figura 42 - Acabamento anatômico da restauração, linhas verticais para a reprodução das áreas de reflexão.
  • Figura 43 - Confecção de guia de silicone palatino para orientação e padronização morfologia.
  • Figura 44 - Confecção de guia de silicone palatino para orientação e padronização morfologia.
  • Figura 45 - Restaurações finalizadas, com destaque à textura superficial da face vestibular.
  • Figura 46 - Restaurações finalizadas, com destaque à textura superficial da face vestibular.
  • Figura 47 - Vista incisal do caso clínico finalizado
  • Figura - 48 - Vista incisal do caso clínico finalizado
  • Figura 49 - Caso clínico inicial.
  • Figura 50 - Caso clínico – Imagem final

Figura 29A – Fotografia comparativa do aspecto final do sorriso com o novo planejamento em relação ao inicial. Após a simulação e aprovação estética pelo paciente e excelente adaptação functional, as restaurações em resina bisacrílica foram substituídas por resina composta Charisma® Diamond (Kulzer) para melhor qualidade estética a longo prazo visto que o paciente limitações financeiras.

Figura 29B – Fotografia comparativa do aspecto final do sorriso com o novo planejamento em relação ao inicial. Após a simulação e aprovação estética pelo paciente e excelente adaptação functional, as restaurações em resina bisacrílica foram substituídas por resina composta Charisma® Diamond (Kulzer) para melhor qualidade estética a longo prazo visto que o paciente limitações financeiras.

Referências:

1. Ozera EH et al. Color Stability and Gloss of Esthetic Restorative Materials after Chemical Challenges. Braz Dent J , Jan-Feb 2019;30(1):52-57.
2. Alzraikat H et al. Nanofilled Resin Composite Properties and Clinical Performance: A Review. Oper Dent. 2018 Jul/Aug;43(4):E173-E190.
3. Balbinot EDCA et al. Analysis of transmittance and degree of conversion of composite resins. S. Microsc Res Tech. 2019 Nov;82(11):1953-1961.
4. Schlueter N et al. Terminology of Erosive Tooth Wear: Consensus Report of a Workshop Organized by the ORCA and the Cariology Research Group of the IADR. Caries Res 2020;54(1):2-

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